Prezado (a),
Primeiramente, solicito a compreensão de todos os patrocinadores do site, mas preciso fazer esse desabafo, pois se trata de um descaso muito grande para com o cidadão brasileiro, em especial ao povo rio-pedrense e das cidades adjacentes.
Ainda, compreendendo sua importância para a economia do país, quero deixar explícito que não sou contra o setor canavieiro. Tendo estudado engenharia civil e gestão da tecnologia da informação, sei da possibilidade e viabilidade da mecanização do campo. Devido a isso, busco combater apenas as queimadas, pois essas fazem mal à saúde, sendo uma atividade arcaica, rudimentar e incoerente com o século XXI. As usinas não precisarão de uma quantia de dinheiro superior a disponibilizada para montar suas plantas industriais, ao aderirem às soluções tecnológicas e de ponta. E qual novo negócio não requer investimento?
Conforme consta em um artigo da Promotora de Justiça de São Paulo, Ana Paula Fernandes Nogueira da Cruz, a mecanização da cultura canavieira é praticada não só em países economicamente fortes (Estados Unidos), mas também em países pobres como as Filipinas.
Alguém pode não gostar da minha manifestação antagônica à combustão asseverada nos canaviais, por se submeter a certas condições precárias como único meio de sobrevivência. Contudo, acredite, faço isso para o bem geral.
Ademais a mão-de-obra campestre poderá ser qualificada e realocada na sociedade, onde as pessoas deixarão de servir de máquina para desenvolver ou inventar e operar equipamento. O novo mercado precisará de engenheiros, cientistas, analistas, gestores, técnicos etc. para os setores fabril, comercial, logística, entre outros.
Também é bom salientar o problema em questão a fim de mostrar àqueles que pensam em se mudar para as cidades vizinhas de Piracicaba/SP, para não se decepcionarem posteriormente. Afinal é torturante e deprimente morar por aqui. Não tem como viver com qualidade de vida. Há demasiada morte prematura; por doenças respiratórias, cardiovasculares e cânceres. A meu ver, pouquíssimos habitantes transcendem os oitenta ou noventa anos de idade. O mundo deveria rejeitar o etanol brasileiro, se o setor sucroalcooleiro não adotar tecnologias e procedimentos ecologicamente corretos.
Verdadeiramente, existem outros problemas a serem sanados. Porém, resolvi abarcar esse. Porque é impossível abraçar todos simultaneamente. Portanto, deixo um convite para que abrace uma causa e lute até encontrar uma solução, assim como eu. Para o solecismo de coleta de lixo, pesquise na internet o modelo perfilhado por Barcelona/Espanha, e assim sucessivamente.
Enfim, voltando ao objetivo principal dessa mensagem, o fogo empregado para o despalhamento da cana-de-açúcar (planta pertencente ao gênero
Saccharum L. e integrante da família
Poaceae) libera muitas toxinas, principalmente os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), os quais são potencialmente mutagênicos e carcinogênicos e causam cânceres de pele, bexiga e pulmão.
Consentâneo com o pneumologista Dr. José Eduardo Delfini Cançado da USP, a quantidade máxima permitida de material particulado (MP) por metro cúbico de ar para o ser humano, segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), é de cinquenta microgramas. Para maiores informações, assista ao vídeo do endereço
http://www.youtube.com/watch?v=aNk1MpEpo-M.
Quando esse valor é suplantado, a saúde humana fica comprometida. Diversas doenças são desencadeadas, mormente em crianças e idosos, tais como: bronquite, asma, renite alérgica, pneumonia, enfisemas pulmonares e cardiovasculares.
Entretanto, após o início da colheita e com o emprego do procedimento supracitado à eliminação da palha, a quantidade de MP suspensa por metro cúbico de ar atinge picos de cento e oitenta microgramas e se mantém em média nos noventa microgramas. Já na entressafra, o mencionado índice permanece abaixo dos trinta microgramas. Esses dados foram retirados de pesquisas publicadas em jornais renomados, como o Jornal de Piracicaba e O Globo.
Além dos danos causados ao ser humano, há também a degradação ambiental. Pois a atividade de colheita, do modo como é feita, concebe os gases do efeito estufa (GEE), contribuindo inclusive com o aquecimento global e colocando toda a humanidade em perigo.
A mestranda da USP Bruna Gonçalves de Oliveira descobriu recentemente, em sua tese, que não apenas no momento da safra a cana-de-açúcar libera os gases do efeito estufa, mas também durante a fase agrícola, quando o solo é preparado para a plantação, com a utilização da vinhaça.
Embora tal planta contribua com o meio ambiente, convertendo o gás carbônico em oxigênio, através da fotossíntese, ela não consegue reparar a maior parte dos prejuízos citados anteriormente, afinal apenas o gás carbônico pode ser capturado. Assim sendo, essa não deve ser uma desculpa em justificativa do atraso tecnológico no campo.
Passando para o lado econômico, o Brasil é um país carente de energia elétrica. E poderia usar a palha da respectiva planta para aumentar a sua capacidade energética, nesse sentido.
De acordo com o Dr. Tomaz Caetano Cannavam Ripoli da USP, cada hectare (dez mil metros quadrados no Estado de São Paulo) da plantação engendra em média oito toneladas de palhisco (escória resultante do despalhamento sem o emprego do fogo). Cada tonelada de palhisco equivale à energia de um e meio barril de petróleo. Dessa forma, cada hectare pode gerar a energia de doze barris de petróleo. Portanto, ao eliminar a palha, as empresas do setor canavieiro dispensam a oportunidade de elevar seus faturamentos em mais de trinta e dois por cento, se considerar apenas a produção de etanol e desprezar o beneficiamento dos demais produtos. Ou seja, é uma burrice tremenda queimar a cana-de-açúcar no período da safra. Para maiores informações, assista ao vídeo do endereço
http://www.youtube.com/watch?v=-DgTX8d822Q&feature=related.
Caso queira fazer as contas, a fim de encontrar o aludido coeficiente, cada hectare produz em média noventa toneladas de cana-de-açúcar e cada tonelada da planta corresponde a oitenta litros de etanol aproximadamente. Logo, cada hectare produz sete mil e duzentos litros de etanol.
Por isso, não dá para entender o motivo de ainda continuarem empregando o fogo como pré-requisito ao corte. Afinal faz mal para a saúde, destrói o meio ambiente, desperdiça energia e suja as residências. Estava me esquecendo de citar a fuligem responsável em sujar os quintais e interiores das casas e escritórios. Dá a impressão de que as pessoas vivem num lugar abandonado, atabafado e sem a opção de lazer ou moradia digna. Como expressou uma cidadã piracicabana certa vez: "isso aqui é o
inferno das queimadas". A fuligem carbonizada suja a roupa do varal e adentra a cozinha, lavanderia, banheiro, quarto, sala, entre outros cômodos, forçando o gasto desnecessário de água e demais produtos de limpeza. Quase todo o serviço doméstico é perdido, diariamente. No mínimo, o consumo desse recurso natural deve ser triplicado durante a safra. Depois as autoridades solicitam o uso racional, como se a culpa fosse da vítima. E se a população não atende à advertência, racionalizam o consumo fechando os registros da fonte. O cidadão nunca tem direito a nada, as condições são sempre impostas e ele compelido a aceitar. No Brasil, a Carta Universal dos Direitos Humanos parece algo sobrenatural, surreal ou irreal. Portanto, Brasil um país de todos? Aonde?
Finalmente, de que adianta trabalhar se o que se constrói é a própria morte? Está na hora de pararmos, pensarmos e revermos os nossos padrões e conceitos. Precisamos criar um sistema coerente com as condições de sobrevivência do nosso planeta. Da maneira como as coisas estão sucedendo, a humanidade está caminhando rumo à extinção. A ferramenta de CPP (Curva de Possibilidade de Produção) comprova esse destino. Pois um sistema linear, como o vigente, requer muitos planetas do tamanho da Terra. Saiba mais, assistindo ao vídeo do link
http://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw.
Considerando uma população de cinco pessoas e uma garrafa de dois litros de refrigerante, fazendo uma divisão justa, cada pessoa terá direito a um copo de quatrocentos mililitros. Aumentando apenas o número de pessoas para dez, cada uma terá direito a um copo de duzentos mililitros. Se elevar esse número para vinte, cada uma terá direito a cem mililitros e assim por diante. No planeta Terra a quantidade de recursos naturais e espectáveis será sempre a mesma, seja ele qual for. Porém o uso necessita ser bem planejado e esquematizado. Contudo, Brasil um país rico e um país sem pobreza? O mundo está caminhando para a extrema pobreza, devido ao seu atual sistema econômico, financeiro, social, cultural etc. Com a era da globalização, o pensamento precisa ser coletivo e não individual.
E, infelizmente, as pessoas são hipócritas até em seus pensamentos inocentes. As mais próximas da minha pessoa vivem me dizendo: “deixe isso para lá, pare de queimar massa cinzenta (córtex, sistema límbico e cerebelo); você sabe que esse mundo vai acabar mesmo.” Espera um pouco, minha gente. Na sua casa tem fogão, micro-ondas, carro, televisão, sofá, cadeira, geladeira, computador, celular etc.?
Já imaginou se quando criaram cada um dos itens acima os criadores dessem atenção a tal frase ou conselho? Será que hoje você os teria? Obviamente que não. Mas a existência deles é boa, porém está nos aniquilando. Por esse motivo precisamos buscar urgentemente soluções alternativas; sustentáveis, renováveis e ecológicas. Não se sujeite às críticas, pois o aparentemente impossível de hoje será realizável no amanhã.
Assim sendo, por favor, vamos deixar o mundo acabar no tempo certo. Por que antecipar o seu fim?
Denuncie a ocorrência da atividade em questão para 0800 11 35 60 ou 0800 61 80 80, a ligação é gratuita e os seus dados serão mantidos sob sigilo. Faça a sua parte.
Observações: As fotos abaixo foram tiradas nos municípios de Piracicaba e Rio das Pedras, ambos localizados no interior do Estado de São Paulo. Em Rio das Pedras há apenas duas usinas: Santa Helena (Grupo Cosan | Joint Venture Raízen) e São José (Grupo Farias). Embasado numa pesquisa realizada por mim, quase cem por cento do território local é queimado; de forma paulatina e estratégica. E, ao contrário do que muitos pensam, as Leis 10.547 e 11.241 proíbem as queimadas. Assim como está no ducentésimo vigésimo quinto artigo da Carta Magna ou Lei Suprema da nação brasileira de 1.988: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações."
Um forte abraço e que Deus o (a) abençoe,
Raphael Trevizam.